Bailarinas Famosas - Alina Cojocaru

Começou aos nove anos, sem nunca ter visto um bailado. "Aconteceu", diz. Hoje é bailarina principal no Royal Ballet de Londres.

Quando entrou na escola de ballet de Bucareste, a sua terra natal, Alina Cojocaru nunca tinha assistido a uma performance. O encontro com a dança foi por acaso. Tinha nove anos e "estava sempre a saltar", diz. Hoje, Alina é bailarina principal no Royal Ballet de Londres e actua como bailarina convidada em diversas companhias. Está em Portugal para dar corpo a Odette/Odile na "versão portuguesa" do Lago dos Cisnes, diz.

Começou por fazer ginástica, "como a maior parte dos miúdos na Roménia", não por gosto mas porque era "muito pequena" e esperava que o exercício a ajudasse a crescer. A partir daí "aconteceu". Primeiro, a inscrição na escola de ballet, "em vez de andares aqui a saltar nos sofás, vai aprender a dançar, disseram-me os meus pais" e depois, foi a sorte que acabou por escolhê-la, acredita a bailarina. Nesse ano, a escola de ballet de Kiev distinguiu nove alunos de Bucareste para um intercâmbio, Alina foi uma das escolhidas.

Foi o tempo que passou na Ucrânia que acabou por definir o seu percurso. "Foi muito duro, tinha apenas nove anos, estava longe de casa e trabalhava muito. Ficava no estúdio a treinar até me expulsarem ou fecharem-me lá dentro. O ballet tornou-se a minha família." E foi também em Kiev, que teve o click: "Fui ver Giselle e foi como, uau!" É por isso que Alina diz que "aconteceu": "Não fui eu que escolhi o ballet, ele é que me escolheu e eu apenas agarrei a oportunidade".
Ao fim de seis anos na escola em Kiev, Alina começou a participar em competições internacionais, em Moscovo e Lausanne. Em Lausanne ganhou uma bolsa de estudo para entrar numa escola de ballet, à sua escolha.

Foi para Londres, para o Royal Ballet, durante seis meses. "Ao fim de seis meses recebi um convite de Kiev para integrar a companhia como bailarina principal, e eu disse: Adorava." Mas, ao mesmo tempo, foi-lhe dada a oportunidade de ficar em Londres e integrar o corpo de bailarinos.
Alina escolheu regressar. "Queria dançar", diz. Seguiu-se uma temporada de papéis principais, clássicos como Clara no Quebra-Nozes e Swanilda em Coppelia, "muita experiência de palco e muitos êxitos". Mas ao fim de um ano, "tínhamos exatamente o mesmo repertório". Foi então que Alina decidiu experimentar Londres e "no espaço de ano e meio tornei-me solista e depois principal, as coisas começaram a resultar para mim, foi muito rápido", diz.

"Agora, dançar é muito
mais divertido"
Para a bailarina romena, não foi difícil chegar a principal. Quando Alina teve a sua primeira oportunidade, em Symphonic Variations, "que foi o meu primeiro grande bailado, na noite de estreia, eu estava pronta", diz. Porque "o mais difícil não é chegar, é conseguires ficar por lá".
Com 25 anos, Alina Cojocaru diz que é esse o maior desafio, "provar para ti mesma que estás a aprender, mas sem demasiada pressão". E explica que, como "perfeccionista" assumida, a pressão "funcionava completamente contra mim". Algo que diz estar a aprender com o tempo a usar para o melhor.

"Agora, dançar é muito mais agradável e divertido, porque percebi que as imperfeições também podem ser, de alguma forma, excitantes", diz.




Ver o ballet de outra perspectiva veio com a experiência. Não só de bailados clássicos, como Romeu e Julieta, Cinderella, D. Quixote, Lago dos Cisnes, entre outros em que actuou, mas mais recentemente também de papéis contemporâneos, como Two Footnotes, de Kim Brandstrup e Engram, de Wayne McGregor. Assim, "quando regresso aos clássicos, volto com um ar mais fresco, com ideias novas, posso experimentar", diz Alina.

Mais do que uma forma de dançar ou uma personalidade, Alina reconhece apenas ter as suas próprias ideias. "Sei aquilo que resulta e como posso trabalhar o meu corpo para ter mais impacto." Porque o importante para Alina é "mostrar sempre a diferença em cada trabalho".
Por isso, a cada papel, a filosofia é que o papel "tenha o teu cunho pessoal", diz Alina. Dá um exemplo: "Quando eu estou a trabalhar num bailado como o Lago dos Cisnes não quero ver outras pessoas a fazê-lo, porque vejo coisas que gosto e depois tenho tendência a imitar." E conta como se prepara: "Nos contos de fadas crio a minha própria fantasia, e nos outros bailados, tenho que encarnar uma personagem, por isso observo pessoas reais e histórias reais."