Superação pela Dança - Por Ruan Nataniel.

Hoje começa aqui no Blog a Coluna do Ruan Nataniel. Estudante de Jornalismo e apaixonado por cultura. Coreógrafo no grupo HD CRISTO, ministrante de aulas do estilo Danças Urbanas e criador do blog Soul Dance Culture. Nesse primeiro post ele fala sobre superação. Espero que gostem!


Quando acontece algo inesperado na vida de alguém, inclusive com seu corpo ou sua mente, o que fazer? João Alves e Cristiane Borges não se deixaram paralisar diante as dificuldades e optaram pela superação. Como fizeram? Se entregaram a dança.



João Cândido Alves - Espetáculo Flâneur (Araxá Dancy Company)
 João Candido Alves, aposentado de 47 anos, cadeirante há 10 por um erro médico, foi apresentado à dança por uma professora. “A dança só apareceu na minha vida depois que eu já estava na cadeira, e hoje não vivo mais sem ela”. Questionado sobre os benefícios que a dança inclusiva trouxe para sua vida, João disse que quando está dançando se sente livre. “Meu preparo físico mudou. No começo eu tinha várias limitações físicas que hoje, graças à dança, não tenho mais”, declara. Diferente de João, Cristiane de Oliveira Borges, 35 anos, teve a dança introduzida a sua vida antes de não poder mais andar.

Cristiane, 27 anos, conta que a dança a fez não desistir de viver. “Quando perdi uma das pernas cheguei a pensar em dar um fim a minha vida. A dança sempre foi minha paixão, e a ideia de não poder mais dançar foi desesperadora.Foi quando fui apresentada a dança inclusiva e me vi capaz do inimaginável.”

Como qualquer atividade física, a dança é uma das artes que mais agregam pessoas. Pessoas que antes se isolavam são agora participativas e extrovertidas. Para os portadores de deficiências físicas, a dança é de fato uma inclusão social. É de fato um meio de superação”. Wanêssa Borges, professora, educadora física e idealizadora do grupo de dança Araxá Dance Company conta que a ideia de criar um grupo de dança voltado para atender pessoas com necessidades especiais veio através de sua irmã, portadora de hidrocefalia. “Não haviam atividades voltadas para as deficiências dela na área de lazer e entretenimento, isso me incomodava muito. Então decidi criar um grupo de dança onde ela pudesse se encaixar e se encontrar.” A CIA existe desde 2009, e atualmente conta com 23 bailarinos. Sendo 11 deles cadeirantes.
Araxá Dance Company - Espetáculo Flâneur
Questionada a respeito dos benefícios que a dança inclusiva traz e trouxe para a vida de seus alunos, Wanessa é categórica: “Os meus alunos são todos exemplos de superação. A evolução de cada um deles é absurda. A melhora na qualidade de vida deles é grande. Eles dormem melhor e alimentam-se melhor. Vencem as suas dificuldades físicas a cada treino. Todos treinam na sua mais alta potencialidade e tem alto rendimento.” A dança inclusiva é voltada especialmente para pessoas que possuem algum tipo de deficiência física ou neuromotora e que, aparentemente, a impediria de praticar este estilo. Ela tem como proposta oferecer a essas pessoas meios que permitam praticar a dança, não visando a limitação, mas sim a capacidade pessoal que todos nós possuímos.

Araxá Dance Company - Espetáculo Flâneur

Segundo Aline Pyrrho, escritora do blog “maonaroda”, a dança inclusiva traz vários benefícios para estas pessoas, como no caso os cadeirantes. A prática ajuda a estimular a musculatura, a melhoria cardiorrespiratória, agilidade no manuseio da cadeira de rodas entre outros benefícios. Já para cegos e mudos, a dança permite que construam as suas próprias idéias de tempo e espaço e manutenção de equilíbrio através de seus outros sentidos. Matéria feita por Marcella Teles e Ruan Nataniel.