Entrevista - Esmeralda Penha Gazal






















Cursou Licenciatura, Bacharelado e Produção em Dança pela Faculdade de Dança e Movimento da Universidade Anhembi-Morumbi – 2006 - Formada em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano – 2011 e Graduanda em Pós- graduação (Metodologia do ensino das Artes) no centro UNINTER, Esmeralda Penha Gazal participou do Corpo de Baile do Teatro Municipal de São Paulo (1968 – 1974) e fez parte do Balé da Cidade de São Paulo (1974 – 1978). Mais tarde, foi coordenadora, professora e coreógrafa na Escola Joyce Ballet. Começou como assistente de direção da extinta Escola Municipal de Bailado de SP onde veio assumir a direção da escola por 14 anos, tendo trabalhado na Criação do Projeto Dançar - 1996 - Oficinas Livres de Dança; Reativação do Corpo de Baile Jovem da Escola Municipal de Bailado – 1997; Criação do CBJOTINHA - 2002; Criação do Projeto 8º ano – 2004 e Criação do Projeto Dançando Histórias – 2007.

Ministrou palestras e oficinas para formação continuada de professores de Dança. Mais recentemente é idealizadora e produtora do projeto artístico-pedagógico “Romeu e Julieta-nem um, nem outro”. Atualmente presta assessoria para dança clássica no Estúdio Anacã.

Em entrevista exclusiva, ela conta um pouco da sua história, experiências e contribuições ao Mundo Bailarinístico.




Como foi o início da sua vida na dança e quais as maiores dificuldades?
Eu comecei a estudar com uma professora chamada Maria Isabel, que sugeriu que eu fizesse a seleção para a Escola Municipal de Bailado – E.M.B.
Em 1968, foi criado o Corpo de Baile do Theatro Municipal. Eu estava no último ano do curso da E.M.B., prestei a audição e fui aprovada. Em 1974 a companhia passou a ser conhecida como Balé da Cidade de São Paulo. Permaneci por 10 (dez) anos.
Depois fui trabalhar como professora e coordenadora do Balé Clássico na Escola Joyce Ballet. Foram mais 10 (dez) anos.
Em 2000 fui convidada por Acácio Ribeiro Vallim Jr, então diretor, a integrar o corpo docente da E.M.B. Retornei à Escola onde havia estudado. No mesmo ano assumi a função de assistente de direção. A partir de 2002 passei a responder pela direção da Escola, e permaneci nesta função até o final de 2010.
As dificuldades, próprias da profissão, foram a falta de políticas públicas para a Dança, poucos espaços para apresentações, falta de recursos e apoio para a formação, produção e pulverização do trabalho, em geral.
A Cultura, especialmente, na minha área, a Dança, ainda não é vista e reconhecida como área de conhecimento e necessária para formação do indivíduo.

Em qual momento você decidiu ter a Dança como sua profissão?
Parece que a Dança me escolheu. As oportunidades foram surgindo e eu me dediquei muito para fazer jus às chances que surgiam.











O que foi mais marcante na sua experiência como diretora da E.M.B?
Confesso que todos os dias que estive na E.M.B. foram marcantes. Todo o processo pedagógico, artístico e administrativo foi um grande aprendizado.
Posso destacar, porém, sem minimizar nenhum outro aspecto, que reativar o Corpo de Baile Jovem, acompanhar sua trajetória, a evolução dos alunos e a colaboração dos profissionais foi algo muito especial.
Como se sentiu ao ver-se afastada da escola depois de tantos anos?
Como você diz: depois de tantos anos. Foi como um luto. Senti e sinto, ainda, muito, a falta dos alunos. Foi uma benção fazer parte do processo de tantos e queridos alunos e estar na companhia de profissionais parceiros.











Conte como foi sua volta aos palcos.
Nossa, uma grande emoção! Eu estava afastada dos palcos há 34 anos.
Tudo começou quando convidei o professor e coreógrafo Luis Augusto Ribeiro para uma parceria no projeto independente que decidi produzir em 2012. A idéia era realizar uma releitura de Romeu e Julieta. Eu estava um dia fazendo a aula do professor quando ele passou por mim e disse: - Encontrei a Lady Capuleto! Eu achei que iria fazer uma encenação, ser um “objeto cênico” e aceitei. Nossa! Foi complicado no começo, estava “enferrujada”. Mas, depois de muitas lágrimas e de um processo de elaboração da personagem e de preparação física, foi muito estimulante e sensível. Fiquei muito grata pelo apoio dos colegas, profissionais da dança, que foram prestigiar nossas apresentações. Tive com o elenco uma experiência significativa e diferenciada. Um grupo de jovens bailarinos cheios de energia, interessados e parceiros.

Daqui pra frente, quais são seus sonhos?
Pretendo dar continuidade ao projeto artístico e pedagógico “Romeu e Julieta – nem um, nem outro” Estou dando assessoria para o Balé Clássico, no Estúdio Anacã, que é uma função que me agrada muito. Gostaria de fazer um Mestrado (estou terminando uma Pós-graduação em Metodologia do Ensino das Artes) e lançar um material referencial sobre os Processos de Ensino-Aprendizagem para professores de técnica clássica. Gostaria de transmitir minhas experiências, formação e aprendizado aos novos professores e aos futuros bailarinos. Estarei com a dança enquanto ela quiser estar comigo.





O que é a Dança para você?
Não vou dizer que a Dança é a minha vida, frase “lugar comum”. A Dança está na minha vida de maneira intensa, profunda e tem sido minha forma de ser e estar no mundo. Só posso agradecer por tudo o que ela me ofereceu.



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