Entrevista Exclusiva - Ângela Viégas

Bailarina, Professora e Coreógrafa , especializou-se em Ballet Clássico e em Dança Flamenca.
Sua formação inclui diversas modalidades de dança, tornando-a uma bailarina versátil.
Formada como bailarina para corpo de baile pelo “CENTRO DE DANÇA RIO”- mestra e ensaiadora, Mª Angelica Fiorani.

Premiada em festivais no Brasil e exterior, recebendo premiações especiais como: “Bailarina Revelação”, “Bailarina Destaque” e “Melhor Bailarina”.
Aperfeiçoa-se com Maitres como Boris Storojkov, Toshie Kobayashi, Ilara Lopes, Renata Versiani, entre outros. Atualmente, Victor Ciattei e Nora  Esteves.
Em 2011 participa da montagem de “O Quebra-Nozes”, versão de Renata Versiani, fazendo o papel de Fada Açucarada junto ao bailarino solista do TMRJ Cícero Gomes.
Integrou a “CIA BRASILEIRA DE BALLET” de Jorge Texeira e a “CIA ÓPERA BRASIL” de Fernando Bicudo fazendo temporadas pelo Brasil e, neste último, também na Itália.
Aperfeiçoa-se ainda, além da Dança Clássica, em Dança Contemporânea e Jazz/Musical.
Atua profissionalmente em trabalhos e Cias de Dança.
Teve seus estudos e aperfeiçoamento em Flamenco com Victoria Nuñez, integrando a sua Cia, o “BALLET FLAMENCO VICTORIA NUÑEZ” de 1996 até 2003. Segue posteriormente fazendo trabalhos profissionais como bailaora.
Atualiza-se com Bailaores como La China, Adrian Galia, Inmaculada Ortega, Rafaela Carrasco, Pol Vaquero, Domingo Ortega, entre outros.
Em 2010, participou como convidada da “Tordesillas Cia de Dança” de Antonio Costa no Viradão Cultural (RJ) e do Espetáculo “Um Poquito por Ortega” com os bailaores Inmaculada Ortega  e Domingo Ortega. Ministrou Oficina de Castanholas na “Semana Carioca de Flamenco” sendo ainda integrante de mesas de debate do “I Seminário Estratégias para o Desenvolvimento do Flamenco Carioca”.
Em 2008, criou o seu grupo, o “BALLET, FLAMENCO & CIA”, tendo como foco principal o Ballet Clássico e o Flamenco. O "BFC" Ballet Clássico tem sido premiado em vários festivais de dança incluindo premiação de melhor bailarino e revelação. O "BFC" Flamenco participou de eventos como  “Festival Internacional de Flamenco de São José dos Campos”, "Semana Carioca de Flamenco e Encontro com a Cultura Galega”, faz abertura de Festivais e tem vem sendo premiado em todos os festivais, sendo praticamente todos em 1º lugar, incluindo ainda premiações como melhor coreografia, e ainda elogiado por grandes nomes da dança.
Em 2009, abre seu espaço especializado nessas duas modalidades , onde é a sede do seu grupo.

Em 2013, Ângela Viégas foi a homenageada do "II Festival de Dança Movimento Art Carioca" ministrando workshop de Flamenco, participando da mesa de jurados e apresentando fragmentos de "Suite Carmen", seu espetáculo coreografado para o "BALLET, FLAMENCO & CIA".

Abaixo uma entrevista exclusiva ao Mundo Bailarnístico ;)

1) O que veio primeiro: o Ballet ou o Flamenco?
Primeiro veio o Ballet. Depois o Jazz e só mais tarde o Flamenco e em seguida a Dança Moderna.

2) O que você considera a maior diferença entre as duas modalidades?
A dança é uma forma de expressão assim como a fala. Entendo como a maior diferença  a forma como cada uma se expressa. Não falo de personagens e sim como cada um transmite essa mensagem para o corpo.
O Ballet tem forma, forma definida, e  por isso talvez mais rígido, mais para fora, de certa forma etéreo. Não falo de personagem e sim da imagem que se cria.
Flamenco é visceral, é chão, é de dentro para fora, exige uma carga de emocional. Como o bailaor sente e como isso  se expressa é a sua comunicação. No meu entendimento, os movimentos partem daí, dessa carga emotiva que a pessoa adquire durante a sua experiência de vida. Sendo assim, na minha visão, dançar flamenco é que nem vinho, no caso, quanto mais "vivido" melhor.

3) Como é a procura e aceitação pelo Flamenco no Brasil? Considera que ainda é um estilo mais restrito?
Para o público leigo, muitos veem o Flamenco como uma "forma enlatada" e às vezes distorcida. Assim como se no Brasil só tivéssemos samba e futebol, sabe? Muitas vezes, por exemplo, me perguntam se Flamenco é aquela dança que se veste de vermelho e preto.
O Flamenco saiu dos limites do folclore. Ele é dançado no mundo inteiro. Temos o Flamenco mais raiz  mas também temos Flamenco com uma roupagem mais moderna inserindo outras técnicas como o contemporâneo. Com a globalização, como a tendência de tudo, a arte em geral foi agregando novos elementos, se unificando. Acho que temos que conhecer, e também ter o "tradicional",  podemos e devemos beber na fonte para a partir daí podermos desconstruir e cada vez mais alimentar o nosso corpo de formas diferentes para poder se expressar.

4) Se tivesse que escolher entre as duas modalidades, qual preferiria?
Eu sou amante da dança em geral. Sempre dancei de tudo. Tive que fazer escolhas para poder me especializar. "Meu coração sangrou" quando tive que parar de fazer jazz. Continuo fazendo cursos, como mais recentemente de dança contemporânea , até porque hoje em dia não existe bailarino de uma modalidade só e agrego todo esse conhecimento em minhas aulas e coreografias. Na verdade, para mim, são duas modalidades que se completam e me completam.  Sabe a música do Lulu: "Não existiria som / Se não houvesse o silêncio / Não haveria luz /Se não fosse a escuridão " não dá para escolher entre dois pilares que me sustentam.  Realmente não sei.  Mas a minha aula de ballet não deixo nunca!! Rs

5) O que diria para incentivar uma pessoa que nunca fez aulas a dançar.
Comecei a dar aulas em 1998, após fazer estágios nas turmas do Cento de Dança Rio, onde me formei e em seguida a mestra Maria Angelica Fioranni me confiou a turma de Ballet do curso profissional da referida escola, o qual também cursava, no período de sua viagem a Argentina por 2 semanas. Quase morri com o convite, já que era uma grande responsabilidade. A partir daí, dei aulas para criança por 2 anos, mas minha afinidade sempre foi com adolescentes e principalmente adultos.
Além de todo o beneficio de estar praticando uma atividade física, também entra a saúde mental e a disciplina, responsabilidade e persistência que a dança exige e que é levado para a vida.
Em se tratando de adulto, às vezes acho engraçado, às vezes triste, a forma como chegam a mim: alguns sempre quiseram fazer dança mas não tiveram oportunidade, outros começaram ainda criança mas alguém falou que não tinham condição de ser bailarina ou sequer de dançar e se fecharam. Outros começaram um pouco mais tarde mas foram colocados em turma com crianças e se sentiram mal e deixaram as aulas, ou ainda o seguinte discurso "gosto muito de dança mas.. estou acima do peso, estou velha(o), não tenho coordenação..."
Se você se identificou com algo que escrevi, escute bem:
O seu momento é aqui e agora, você merece ser feliz e ninguém tem o direito de rotular ninguém. Na maioria das vezes o preconceito está dentro de você e não fora. Vocês não irão começar já fazendo, por exemplo, 32 "fouettés" duplos  ou uma "escobilla" (sequência de sapateado) rápida por bulería (ritmo flamenco). Ninguém nasceu sabendo correr. Primeiro engatinhamos para depois tentarmos nos equilibrar de pé para andarmos e aí sim corrermos. O primeiro passo é tomar coragem e ser feliz como é, limitações todos nós temos mas novos desafios farão você ver que você pode muito mais do que pensa. A escolha do ser feliz ou não só depende de você.

6) O que cada aluno deixa em você?
Cada aluno é um ser único que deixa muitos ensinamentos:
como professor, me ensinam a como ensinar - cada aluno tem a sua forma de aprender, não são garrafinhas de Coca Cola, cada um é cada um. O importante é que eu consiga extrair o seu máximo,o melhor de  cada um deles. Isso só se aprende na convivência.
como bailarina, me torno mais exigente comigo mesma. Eles são reflexo do trabalho do professor. Há muitos anos atrás, logo no início quando comecei a dar aulas, percebi que muitos alunos estavam com o "cotovelo levemente caído" na 2ª posição de braço. Quando estava fazendo aula me dei conta de que EU estava trabalhando com o "cotovelo levemente caído". Com isso passei a também ter mais qualidade nos meus movimentos, já que teria que "esmiuçar" o movimento para facilitar o melhor entendimento e aprendizado do aluno.
como coreógrafa, me ensinam a saber coreografar em diferentes corpos e tirar movimentos a partir deles.
Acima de qualquer coisa, como pessoa, o que levo deles é a felicidade em ver a satisfação que eles sentem ao verem que  é possível realizar determinados movimentos, ultrapassar limites que jamais haviam pensado em conseguir. E ainda, poder ajudar a levantar a autoestima do aluno que muitas vezes chega abalada.

7) Defina Ballet com uma palavra:
Beleza
8) Defina Flamenco com uma palavra:
Visceralidade
9) Para você dançar é:
É como respirar, comer e dormir. Essencial na vida.

Contatos:
angelaviegasdance@hotmail.com
Ballet, Flamenco & Cia
Especializado em Ballet Clássico e Dança Flamenca
ballet.flamenco.cia@hotmail.com
Tel.: (21) 9658 0170

Comentários

  1. Obrigada pelo convite, Dryelle! Bjs, Ângela Viégas.
    www.angelaviegasdance.wordpress.com

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