Entrevista Exclusiva - Beatriz Lacerda

Hoje o Mundo Bailarinístico "recebe" a Beatriz Lacerda. O que eu mais gosto das entrevistas são das histórias que as pessoas contam! Aproveitem!

Integrante da Cia. Elaine Lacerda de Dança, formou-se em Ballet clássico e Jazz no studio de dança Elaine Lacerda, e estudou Ballet Clássico Royal também no pavilhão D Centro de Artes, com direção de Ricardo Scheir, repertório e dança contemporânea e composição coreográfica. Foi premiada com medalha de bronze em Berlim-Alemanha e por 3 vezes teve o título de melhor bailarina em competições no Brasil. Recebeu ainda vários prêmios com solos,duos e conjunto e foi classificada como solista e em grupo para o American Dance Competition – Orlando/Estados Unidos e para o Tanzolymp- Berlim/Alemanha em 2014.

Você nasceu filha de bailarina, foi o primeiro passo para se tornar uma? Como sua mãe influenciou na sua escolha?

Eu acredito que tenha sido o primeiro passo sim, mesmo porque eu nem me lembro de quando comecei a dançar. Mas eu sempre tive uma liberdade muito grande pra escolher se eu realmente gostaria de continuar, tanto que uma vez eu quis

parar quando cheguei a pré adolescência e ela aceitou numa boa. Acabei não conseguindo ficar longe.

Quais as vantagens e desvantagens de ser a filha da professora de ballet?


Bom, uma das maiores vantagens de ser filha de professora, é o apoio na carreira, a orientação que as vezes acontece muito mais, os contatos que já acabo tendo com mais pessoas da dança e essas coisas. As desvantagens são a convivência extrema, que em fazes como a adolescência por exemplo foi um pouco mais conturbada. Uma das coisas que mais me irritaram no passado e muitas vezes me deixaram muito chateada, é a mania das pessoas acharem que pra mim foi mais fácil do que pras outras meninas ou achar que tudo o que conquistei, como solos, etc, foi por vantagem por causa da minha mãe. Mas acho que chegou uma hora que eu amadureci e parei um pouco de me importar.

Ao que você atribui toda sua melhora técnica?


Eu sempre tive muita dificuldade porque meu físico sempre foi muito dificíl pro ballet, mas a partir do momento que comecei a me sentir mais madura e mais interessada em seguir carreira, procurei fazer aula com professores diferentes como workshops ou até mesmo em outras escolas. Isso me ajudou muito tecnicamente. Eu acredito que não há problema em procurar aprender mais com outras pessoas e outros lugares, sem nunca esquecer de onde você veio. Mas...


Se pudesse escolher apenas 1 momento bailarinístico para lembrar, qual seria?


Ano passado quando eu dancei em Orlando no American Dance Competition, quando ganhamos primeiro lugar da categoria duos.

O que considera mais importante para uma bailarina (o)?


Eu acho que o mais importante é estar em uma boa escola ( que não quer dizer uma grande escola) e que te ofereça realmente uma boa qualidade de estudo e oportunidades. Uma coisa que vejo muito hoje em dia, é meninas e meninos em escolas que não tem qualificação nenhuma pra ensinar ballet e que chegam a uma idade maior até perceberem que "perderam" tempo na sua formação. Ou vejo escolas que não investem nos alunos, não levam pra competições, por exemplo. Agora, uma coisa importante, é que é uma via de mão dupla. Não adianta querer cobrar da escola/professor se não houver muuuuuuuuuita dedicação, trabalho duro, entrega do bailarino.

O que você mais gosta de dançar?

Pergunta dificíl ahahhaha

eu sou um pouco de fases. Sempre gostei muito do ballet, mas ultimamente estou muito apaixonada pelo contemporâneo. Não consigo escolher!

1 variação: Giselle
1 ballet de repertório: D. Quixote
1 bailarina: Tamara Rojo
1 bailarino: Ivan Vasiliev

O que cada aluno deixa em você?


Pra mim, cada aluno que tenho é um aprendizado. Cada vez mais percebo como as pessoas são diferentes. Uma das coisas que me cativam em um aluno, é a força de vontade, porque eu sempre fui o azarão da sala de ballet, até que acreditaram em mim com o meu esforço. Então acho que esse é um fator que importa muito e que ensina como mudanças são possíveis e objetivos estão aí para serem alcançados.

Para você dançar é:
Pra mim dançar é simplesmente eu. Hahahahah é dificíl explicar... É a a junção de técnica e emoção. É uma das formas de me expressar, de me sentir livre e diferente dos outros. É uma das maneiras que tenho de ser várias em uma só. Posso ser princesa em um ballet, e posso ser sensual em um contemporâneo, ou ser feliz em uma, e triste em outra. É como experimentar ser outras pessoas.