A perfeição imperfeita - Por Maria Cristina Lopes

A grande maioria dos bailarinos está constantemente com a sensação de que não está fazendo o suficiente. Isso por que a dança convoca a perfeição. Embarcar na dança é buscar incessantemente a perfeição. A graça, a formosura, a beleza, o requinte e a limpeza são componentes deste “estado da arte” que professores e plateia anseiam.
Porém, esta mesma busca pela perfeição faz com que fiquemos cegos para pequenos aprimoramentos. Afinal, nossa visão está voltada para uma imagem quase irreal e distorcida sobre o que é ser um bailarino. Elegemos alguma imagem, foto, vídeo ou o que mais seja do bailarino favorito como um arquétipo do que é dançar bem. E esse arquétipo está presente em cada aula, cada elogio, cada correção.

O que ocorre em aula e no palco é simples: nunca é o suficiente. Mesmo quando um grande e admirado professor elogia, isto quase nunca tem um impacto totalmente positivo.

Justamente por que buscamos de forma ilógica este arquétipo. E tudo o que não está lá não tem o valor devido. Este é um comportamento doente que traz emoções e pensamentos negativos impedindo de seguir em frente.

Mas quando saber se você está neste estado? Em resumo: é difícil dizer com precisão.

Mas no momento em que a dança para de se tornar alegria e passa a se tornar somente uma busca pela perfeição é o dia em que a dança – pelo que ela é – não se faz presente. Se você for a uma apresentação e só conseguir colocar seus olhos nos pequenos defeitos, erros e desvios: atenção! A dança pura é perfeita em movimentos, mas sua essência está na emoção transmitida.

Maria Cristina Lopes

Psicóloga da dança

CRP 5/47829

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