A ansiedade nas aulas de ballet - pensando no dia a dia da bailarina adulta! Por Karen Ribeiro

Eu tenho até uma plaquinha pendurada na parede da sala de aula que diz: “ansiedade menor que a técnica”. Um mantra que eu mesma repito para mim mesma. E mantra é mantra, a gente repete o tempo todo, para buscar a serenidade.


Na busca pelas formas fotografadas, esquecemos que uma forma é um momento dentro de um complexo movimento. A dança em si é movimento, e não, forma.

E como focar nosso trabalho no movimento e não na forma?

Domando essa tal de ansiedade. Como assim?

Não tenho fórmula para explicar, mas posso falar da minha experiência como bailarina e professora, de como aprendo diariamente lidar com a minha ansiedade.

Quem nunca ouviu um: que horror? – Seja ele pelo olhar do professor, pela feição do professor, ou de algum colega a quem admiramos, ou de um juri… Até mesmo do vizinho, colega de trabalho, “parente”, que chega com uma certa cara de deboche quando dizemos que fazemos ballet, sendo adultas. Se fosse a filha ou uma criancinha diriam: que bonitinha, ela quer ser bailarina (mesmo na apresentação, ok ser torta, é até mais aplaudida do que a gente quando se arrisca nos 32 fouettes e saem só 28!!!)…

Ou seja… cobrança número 1.

Noutro aspecto da vida, já adultas e mulheres, temos uma cobrança de sucesso, de entregas em prazos cada vez mais justos, embutidos muitas vezes numa concorrência desleal com um suposto machismo através de nossos cargos ou ambições profissionais… o que só nos aumenta essa tal de ansiedade para coisas perfeitas em tempos cada vez mais diminutos.

Daí vamos buscar algo para nós mesmas… e buscamos algo que nos traga de volta nossa essência mais interior… que nos resgate em leveza, pureza, elegância… E que tal o ballet clássico? Sempre sonhei… não pude, tive que parar, não tive como continuar.

Perfeito! Vamos buscar!

E lá estamos nós na frente daquele avassalador espelho, de meia calça clara, collant e sainha. Esse tal espelho… que me mostra mais do que esperávamos olhar… que nos faz entrar de encontro não com aquele interior e sim um exterior que muitas vezes não nos satisfaz, e de repente aqui estou eu buscando olhar para alguma coisa que eu realmente goste em mim.

Fora isso vem um passo que parecia “super simples e leve” no video e eu nem sei coordenar meus dedos dos pés com meu joelho esticando ou dobrando, sustentando meu abdomen, respirando… afffffffffffff. Treco difícil. Mas para mim não existe nada difícil, e começo a focar em formas… pois é assim que estou me informando e me formando…

Daí vem a ansiedade… porque atingir aquela forma, sem buscar pelos movimentos mínimos que compõe cada foto que focamos, fica muito complicado. Sem respirar e buscar o passo a passo, fica infinitamente estranho e esquisito… e eu logo desisto do que estou fazendo porque acho que não está bom.

É o ballet nasce de dentro para fora, mulherada. Passo a passo, da musculatura mais próxima do esqueleto, e como já estamos crescidinhas, já aprendemos a usar uma musculatura maior, com a qual nos movemos… Daí na ansiedade usamos elas, ao invés de buscarmos aquelas pequeninas e magrelas musculaturas tão escondidas…

Daí a gente tem que se silenciar… buscar calmamente… se permitir estudar de dentro para fora. Acalmar. E enfim, se permitir! Se permitir um caminho de aprendizado, de busca, de movimentos. E deixar as formas acontecerem nos clicks dos fotógrafos, que acontecerão pois no movimento correto a forma acontece!

Falou a bailarina em eterno aprendizado… e a professora?

A professora aqui aprende com a bailarina que se permite ser, olhando cada aluno e escutando o que seus corpos e olhares dizem… buscando ser movimento e não forma…

Reformulando-se diariamente… acalmando diariamente, baixando a própria ansiedade de ver alunas e alunos tão lindos no tempo de cada um descobrindo os movimentos e os transformando em dança…

Não é fácil trabalhar a ansiedade… rs ! E ela faz parte da arte, que nada mais é do que a lente de aumento da vida em sociedade…

Mas parabéns a cada mínima conquista diária… e acredite em seu professor quando vê o mínimo que você ainda não viu acontecendo… As vezes ate seu colega viu, pois ele também esta na mesma busca!!! Aceite os aplausos sinceros… é lindo ver uma bailarina nascer!!!

3 comentários:

  1. É um privilégio fazer parte desse universo onde temos a honra e bênção de contar com professores competentes, comptometidos e capacitados. E uma diretora totalmente voltada e apaixonada pelo ballet, pelos seus alunos e pela sua escola. Eu amo!
    Eu sou!
    Eu vivo meu balllet.

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  2. Anônimo14:04

    Amei o texto <3

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  3. adorei! parece que foi escrito para mim, mas acho que a a maioria das alunas adultas devem se identificar. ás vezes a gente foca tanto nos exemplos das fotos e videos de bailarinas, comtecnica perfeita em algo tao etereo e "perfeito", que surge aquele desanimo e sensação de que não estamos progredindo. bjos!!!

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