Balé da Cidade de São Paulo estreia temporada com coreografia inspirada em Caetano Veloso

Balé da Cidade de São Paulo estreia primeiro espetáculo da temporada com coreografia de Morena Nascimento inspirada em Caetano Veloso

“Além das canções das quais me fascinam, gosto de observar o corpo de Caetano em movimento – quando canta, gesticula, responde uma entrevista. Para mim ele está o tempo todo dançando mesmo que não esteja.”

Um Jeito de Corpo - Balé da Cidade Dança Caetano estreia em 15 de março, às 20h, no Theatro Municipal de São Paulo.
O Balé da Cidade de São Paulo completa 50 anos em 2018. O primeiro programa desta Temporada comemorativa é inspirado num artista único e de inestimável valor intelectual e poético, Caetano Veloso, que já foi traduzido e interpretado por tantos artistas e agora ganha uma representação na dança.  Um Jeito de Corpo - Balé da Cidade Dança Caetano estreia em 15 de março, às 20h, no Theatro Municipal de São Paulo.

O espetáculo é assinado pela coreógrafa Morena Nascimento, com direção musical do músico e historiador Cacá Machado, figurinos de Isadora Gallas, cenografia de Marcel Kaskeline, iluminação de Aline Santini, Visagismo de Luiz Parisi, dramaturgia de Vadim Nikitin e consultoria de José Miguel Wisnik. As apresentações seguem nos dias 16,17,22,23,24 e 25, às 20h. A exceção acontece no dia 18, quando começa mais cedo às 18h.

“Desde o início do ano passado, quando Ismael Ivo chegou à direção do Balé da Cidade de São Paulo e assinou a coreografia ‘Risco’, a companhia entrou numa nova fase: mais criativa, ousada e intensa. Os resultados foram aparecendo ao longo do ano e chegam, neste ano, a uma fase mais madura com ótima resposta do público, que comparece aos espetáculos com calorosos aplausos”, destaca o secretário Municipal de Cultura André Sturm.

A produção não é autobiográfica, nem uma tentativa de retratar um momento histórico da vida do Caetano. Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano tem uma intensa liberdade poética. “Não estamos presos a nenhum pressuposto ou recorte histórico de sua carreira. Buscamos nas músicas de Caetano o que nos afeta e se relaciona com o momento que estamos vivendo. Criamos um grande ritual, incorporando e assimilando a poética de Caetano, transformando-a em nossa fala no corpo, do nosso jeito. As coreografias são o resultado desse exercício de devorar e ser o que se devora” afirma Morena Nascimento.

Estreando no Balé da Cidade de São Paulo, Morena é um dos destaques da nova geração da dança contemporânea. A passagem por um dos maiores grupos de dança do mundo, TanzTheater Wuppertal de Pina Bausch, e o fortalecimento de seu trabalho autoral nos últimos sete anos no Brasil provoca ainda mais o interesse do público por suas criações.

O convite para este trabalho partiu do diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo, que uniu duas de suas admirações no mesmo programa. “Sou um admirador do universo poético e musical do Caetano Veloso. O mesmo nível de admiração me relaciona com universo criativo do grande gênio da dança Pina Bausch. A Morena Nascimento tem suas origens e experiência no berço da famosa companhia da coreógrafa alemã. Mas muito além disso, possui um impressionante nível de presença corporal e expressão artística”, afirma.

Para Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano, a coreógrafa manteve o seu método de criação híbrido e se deixou guiar por sua inspiração nas músicas, no gestual do artista brasileiro e no elenco do Balé da Cidade de São Paulo, no qual ficou impressionada pelo vigor e entrega dos bailarinos. “Além das canções das quais me fascinam, gosto, particularmente, de observar o corpo de Caetano em movimento - quando canta, gesticula, responde uma entrevista. Para mim ele está o tempo todo dançando mesmo que não esteja. A gama gestual que o seu corpo nos apresenta é tão rica e me diz tanta coisa que quase não preciso ouvir as canções”, se diverte Morena.

A coreógrafa também se debruçou sobre as referências que estão em torno da arte e da vida do artista, passando pela dança de Maria Esther Stockler, os filmes de José Agripino, Frederico Felini, Almodóvar, Maria Betânia, Astor Piazzola, temas como  funk, grandes metrópoles, negritude, sexo e gênero, exílio, tropicália. Além disso, Morena se guiou por suas próprias relações afetivas com a Bahia, lugar onde freqüentou intensamente desde sua infância por ter um pai baiano.

A produção também se volta à cidade de Santo Amaro, na Bahia, terra natal de Caetano e referencia traços do cotidiano do artista que tanto o influenciaram antes dele se tornar famoso, como o rádio e as idas ao cinema.

Para a trilha, algumas composições do artista foram sampleadas com o objetivo de criar novas peças musicais. “Com a mesma liberdade que o artista criou, por exemplo, em seu disco experimental Araçá Azul, invadi suas canções cortando, recortando, alterando andamentos, picths, criando reversos, adicionando efeitos, incluindo samplers de outros artistas e gravações originais compostas por mim”, diz Cacá Machado responsável pela direção musical.

Para exemplificar esse processo de recortes, em um trecho do espetáculo, a canção “Nicinha (Caetano Veloso)”, música feita pelo artista para a sua irmã mais velha (Nicinha) se juntará aos samplers de outra composição sua, Alguém Cantando, na voz da própria irmã, somada à canção Vento, também dele, na interpretação de Gal Costa.

Já a cenografia será assinada por Marcel Kaskeline que entrou em contato com a obra do Caetano pela primeira vez após o convite para o trabalho. “O modo específico dele parece mais a transformação em poesia. Tudo o que ele toca, seja tristeza, raiva, solidão, alegria, amor, torna-se poético”, explica.

No palco, Marcel irá explorar o ponto de vista sobre a transformação. No cenário, uma casa dará a impressão que está se deteriorando. “Este espaço que uma vez deu proteção torna-se uma ruína. Mas, ao mesmo tempo, o lugar não se torna mais bonito? Não existe mais poesia nesta imagem ambivalente?”, indaga.

O figurino de Isadora Gallas é inspirado nas composições, nos aspectos de cidade. As tonalidades neon vão fazer uma referência ao axé, os tons mais lavados referenciam as cores das casas do recôncavo baiano, onde está a cidade de Santo Amaro. “Tem transparência para que as cores se transformem em outras, seguindo a intensidade da luz no palco. Além disso, a modelagem foi pensada no projeto do cenário que usa vento. Por isso teremos roupas amplas para que o vento desenhe os corpos”, explica.

Os ingressos para Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano variam de R$ 20 a R$ 80 e estão disponíveis na bilheteria do Theatro Municipal de São Paulo ou pelo site eventim.com.br.


Serviço:

Quinta 15/03 às 20h
Sexta 16/03 às 20h
Sábado 17/03 às 20h
Domingo 18/03 às 18h
Quinta 22/03 às 20h
Sexta 23/03 às 20h
Sábado 24/03 às 20h
Domingo 25/03 às 20h

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Balé da Cidade de São Paulo

Um Jeito de Corpo

Idealização e Conceito Geral: Ismael Ivo

Coreografia: Morena Nascimento

Assistente de Coreografia: Camila Bosso

Dramaturgia: Vadim Nikitin e Guilherme Wisnik

Música: Caetano Veloso

Direção Musical: Cacá Machado

Assistente de Direção Musical: Mariana Lima

Consultoria: José Miguel Wisnik

Espaço Cênico: Marcel Kaskeline

Assistente de Cenografia: Luciana Bueno

Desenho de Luz: Aline Santini

Assistente de Iluminação: Nicolas Caratoni

Figurino: Isadora Gallas

Assistente de Figurino: Juliana Andrade

Visagismo: Luiz Parisi

Ensaiadoras: Carolina Franco, Roberta Botta

 Classificação: 12 anos

Duração: Aproximadamente 120 minutos


Intérpretes

Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Igor Vieira, Isabela Maylart, Jaruam Miguez, Jessica Fadul, Joaquim Tomé, Julie Endo, Leonardo Hoehne Polato, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Thaís França, Uátila Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam, Vivian Navega Dias, Yasser Díaz

Ficha técnica do Balé da Cidade de São Paulo

Direção Artística: Ismael Ivo
Assistente de Direção: Fabio Mazzoni
Coordenação Artística: Fernando Machado
Assistentes de Coreografia: Carolina Franco, Roberta Botta
Professor de Balé Clássico: Liliane Benevento
Professor de Yoga: Lucas Ribeiro
Pianista: Beatriz Francini

Bailarinos: Ana Beatriz Nunes, Ariany Dâmaso, Bruno Gregório, Bruno Rodrigues, Camila Ribeiro, Cleber Fantinatti, Erika Ishimaru, Fabiana Ikehara, Fabio Pinheiro, Fernanda Bueno, Hamilton Felix, Harrison Gavlar, Igor Vieira, Isabela Maylart, Jaruam Miguez, Jessica Fadul, Joaquim Tomé, Julie Endo, Leonardo Hoehne Polato, Luiz Crepaldi, Luiz Oliveira, Manuel Gomes, Marcel Anselmé, Marina Giunti, Marisa Bucoff, Rebeca Ferreira, Renata Bardazzi, Reneé Weinstrof, Thaís França, Uátila Coutinho, Victor Hugo Vila Nova, Victoria Oggiam, Vivian Navega Dias, Yasser Díaz.

Produção Executiva: Willian Alexandrino
Assistente de Produção: Paloma Neves
Direção Técnica e Direção de Cena: Danior Carreira
Coordenação de Projetos Didáticos e Acervo: Raymundo Costa
Coordenação Administrativa: José Hilton Jr.
Iluminação: Sueli Matsuzaki
Sonoplastia: Leandro Lima
Coordenação de Figurino: Juliana Andrade
Assistente de Coordenação de Figurino: Gabriela Araujo
Maquinista/Contra Regra: Alessander Rodrigues, Enéas Rodrigues
Secretaria: Doralice de Queiroz
Auxiliar Administrativa: Fabiana Vieira Rezende



Temporada 2018

O Balé da Cidade de São Paulo completa 50 anos em 2018. Para celebrar o cinqüentenário de uma das companhias de dança mais renomadas e influentes do país, uma programação especial foi elaborada sob o tema Mover de Amor.



Após Um Jeito de Corpo – Balé da Cidade Dança Caetano, a companhia estreia o segundo programa em julho (6, 7, 8, 11, 12, 13, 14 e 15), com três obras: Trovador, do coreógrafo brasileiro Alessandro Pereira, que integra a companhia Europeia Danish Dance Theatrer, Frágil do israelense Itzik Galili e Deranged do coreógrafo austríaco Chris Haring.



O ápice da celebração dos 50 anos acontecerá com o espetáculo A Sagração da Primavera que estreia no dia 15 de setembro às 20h. A produção será uma criação do diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo, Ismael Ivo, e as apresentações serão acompanhadas pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo sob a regência do maestro titular Roberto Minczuck.


Quem perder a estreia, poderá conferir A Sagração da Primavera nos dias 16, 18, 19, 21 e 22 de setembro, às 20h, com exceção do domingo, às 18h.


Resumo – 50 anos - 1968-2018

210 Obras coreográficas no repertório
173 Criações originais para o BCSP
40 Remontagens de obras criadas para outras companhias
27 Remontagens de obras do repertório do BCSP.
33 Criações originais
27 Participações em óperas
104 Obras criadas em mostras de coreografia
07 Obras criadas em mostras e incorporadas ao repertório
58 Premiações
17 Países visitados em 22 anos de turnês internacionais
78 Cidades na Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul e América do Norte
20 Bailarinos convidados
346 Bailarinos

BALÉ DA CIDADE DE SÃO PAULO

O Balé da Cidade de São Paulo foi criado em 7 de fevereiro de 1968, com o nome de Corpo de Baile Municipal. Inicialmente com a proposta de acompanhar as óperas do Theatro Municipal e se apresentar com obras do repertório clássico, teve Johnny Franklin como seu primeiro diretor artístico.

Em 1974, sob a direção Antonio Carlos Cardoso, a companhia assumiu o perfil de dança contemporânea, que mantém até hoje. Em todos esses anos, o repertório se definiu com um celeiro de novos vocábulos de dança, inovação de movimento e criação de novas expressões artísticas.

Abrigou um corpo de solistas qualificados que com coreógrafos de alta qualidade marcaram uma época. Suas criações se destacam como inéditas e foram apresentadas com grande sucesso na plataforma nacional e internacional.

A bem-sucedida carreira internacional da companhia teve início com a participação na Bienal de Dança de Lyon, França, em 1996. Desde então suas turnês europeias têm sido aclamadas tanto pela crítica especializada quanto pelo público de todos os grandes teatros onde se apresenta.

A longevidade do Balé da Cidade de São Paulo, o rigor e padrão técnico do elenco e equipe artística, atraem os mais importantes coreógrafos brasileiros e internacionais, interessados em criar obras para seus bailarinos e artistas. Atualmente, a companhia tem como diretor artístico o bailarino e coreógrafo Ismael Ivo que também é fundador, diretor e conselheiro do Festival ImPulsTanz, de Viena.


ISMAEL IVO

É bailarino e coreógrafo. Dirigiu por oito anos o setor Dança na Bienal de Veneza e foi diretor e chefe de coreografia no Theatro Nacional Alemão. Fundador, diretor e conselheiro artístico do Festival ImPulsTanz, de Viena. Diretor e criador do projeto Biblioteca do Corpo.

Atuou também como professor convidado da Max Reinhardt Seminar, na Universidade de Música e Artes Performáticas de Viena, e como Diretor Artístico do Prêmio Roma de Coreografia Contemporânea. No Brasil, é diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo e também exerce a função de Curador Artístico do Projeto Qualificação em Dança, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.