Ballet adulto: aulas trazem benefícios ao corpo e à mente

Realização de sonho de infância ou busca por vida saudável fazem aumentar procura pela dança por mulheres adultas. Por educacao.com.br


Em algumas academias de dança a barra de ballet não pertence mais apenas as profissionais ou crianças. Muitas pessoas estão buscando o ballet clássico depois de adulto, seja para melhorar o condicionamento físico ou para realizar um desejo de infância. As turmas de balé para adultos se tornaram um atrativo e a dedicação das alunas é a principal característica das aulas.
"São mulheres que praticaram balé quando crianças e que precisaram abandonar, pessoas que sempre desejaram e nunca tiveram a oportunidade e ou mesmo mães que matricularam as filhas e depois de assistirem às aulas por um período decidem optar pela dança como atividade física", comenta a Fabíola Poch da Silva, professora de balé e diretora Centro de Dança Fabíola Boch.
Renata da Silva Ferreira, de 37 anos, frequentou aulas de balé por dois anos na infância, mas nunca mais voltou às sapatilhas. Chegou a fazer jazz e a se tornar professora de dança do ventre. E foi ao ver as aulas de balé para adultos na academia que dá aulas, que despertou o desejo de retomar. "A delicadeza e o alongamento dos passos é o que mais a surpreende", diz.
A média de idade fica entre 20 e 45 anos e as turmas são dividas em níveis de aprendizado, já que integram pessoas que nunca tiveram contato com as sapatilhas a aquelas que estão retomando os passos aprendidos na infância. A turma para iniciantes é ideal para quem está começando, porque são dados os passos básicos como o pliê.

Ritmo Individual
As aulas são estruturadas com o mesmo rigor, precisão e técnica que o Ballet exige e as mulheres se envolvem para aprender os passos, mas o ritmo individual é respeitado, já que não há foco na profissionalização. "A predisposição em aprender é maior, por isso conseguimos até mesmo acelerar os níveis", fala.
Para Fabíola o principal diferencial entre uma turma infantil e adulta é que são as próprias alunas que buscam o balé, por necessidade física ou psicológica, o que torna a homogeneidade da turma maior.
Mas como o corpo tende naturalmente a perder um pouco de flexibilidade com o decorrer dos anos, algumas dificuldades iniciais podem ser sentidas, como menor alongamento, pouca coordenação motora e até falta de flexibilidade. "A questão da flexibilidade exigida é bem individual, mas trabalhamos em aulas todas as dificuldades que surgem por conta da idade. Montamos exercícios de acordo com a necessidade da turma", diz Fabíola.
"Sinto algumas dificuldades por conta da idade e a execução do movimento é mais limitada, mas é muito prazeroso. Estou amando, se soubesse que me daria esse prazer, teria voltado antes", afirma Renata.

Idade não é obstáculo
Embora muitas escolas de dança já ofereçam turmas especiais para esse público, muitas mulheres hesitam em procurar devido ao preconceito tanto da idade, quanto da dificuldade em acompanhar o ritmo. "Muita gente que tem vergonha de encarar uma turma de balé na vida adulta, mas como todas estão na mesma fase as pessoas acabam se sentindo à vontade. Tive medo de pegar uma turma avançada e não conseguir acompanhar", revela a estudante de medicina Juliana Reinesch, de 23 anos, que também passou viveu essa experiência, até mesmo entre os amigos de faculdade. "As pessoas admiram, mas a maioria que já dançou não tem mais coragem de voltar."
Juliana fez balé clássico dos oito aos 16 anos, mas precisou parar quando se mudou de São José dos Campos para cursar a USP de Ribeirão Preto. "Estava em adaptação à cidade e o balé não se encaixava mais na minha rotina, acabei desistindo. A vida corre em outro ritmo", conta.
A vontade de retomar o balé sempre esteve presente na vida de Juliana, tanto que em 2010 ela colocou como meta e conseguiu. "Decidi voltar, mesmo que tivesse de trocar plantões." Seis meses depois de retornar, Juliana já entrou no ritmo e retomou as sapatilhas de ponta. "No começo doía muito, porque os músculos estavam ‘acordando’, mas agora já desenferrujei. Estou adorando", diz.
Para a estudante fazer balé em uma turma de adultos o aproveitamento é maior, já que todos têm o mesmo propósito e a cobrança da técnica é menor. "As alunas tem a mesma visão e a aula é mais light."

Postura e alongamento
Ganhar alongamento, boa postura, condicionamento físico, tônus muscular e modelar o corpo são os benefícios físicos da prática do balé clássico. "Os resultados são conseguidos pela própria força que se coloca para executar o passo. Trabalha-se com a força do próprio corpo, principalmente, a musculatura das pernas, do abdómen e do glúteo", explica a professora Fabíola.
Fabíola ressalta que como atividade física o balé é excelente para quem não gosta de exercícios repetitivos. "Tem a música clássica, os passos e no momento em que se está na aula, a pessoa se esquece do mundo para se concentrar no ritmo", comenta. E o condicionamento aeróbio também é trabalhado, como nos pequenos saltos.
Mas o balé trabalha o corpo e a mente. Para alguns alunos é momento de relaxamento. Como a execução dos passos exigem concentração, no momento da aula a pessoa se desligado estresse cotidiano. "É uma hora e meia de antiestresse, damos uma pausa na rotina do dia a dia. Dançar é uma válvula de escape", define Juliana. "O balé faz bem para o corpo e para a alma", conclui Fabíola.

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