Entrevista Exclusiva - Karen Mesquita

Em entrevista exclusiva ao Mundo Bailarinístico, a bailarina Karen Mesquita fala sobre momentos de sua carreira.

Natural do Rio de Janeiro, Karen iniciou seus estudos de dança aos três anos de idade no Grupo Cultural de Dança Ilha, concluindo-os em 2006.No mesmo ano ingressou na Akademie des Tanzes Mannheim e fez parte do corpo de baile da Badisches Staatheater Karlsruhe, direção de Birgit Keil – Na Alemanha.

Voltando ao Brasil entrou para a Cia Brasileira de Ballet, participou de temporadas em São Paulo, Minas Gerais e Mônaco, em papéis de destaque como A Fada Açúcarada em O Quebra
Nozes, Mercedes e Quitéria no clássico, O Don Quixote.Em 2010 entrou para o corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com participação ativa em obras de coreógrafos consagrados como: Roland Petit,Sir Peter Wright, John Cranko, Fokine, Uwe Scholz ,Nijinsky, Dalal Achcar entre outros. Em 2012 foi promovida ao cargo de Primeira Solista.Karen participa ativamente de galas ao redor do país, como convidada, jurada, ministrando workshops entre outras atividades correlatas à dança.

Começou o ballet ainda muito pequena, com apenas 3 anos. Qual a idade acha ser a ideal para começar as aulas. Acha que com 3 anos a criança já começa a absorver bailarinices?

Eu comecei muito nova mesmo e nessa idade é apenas para brincar, conviver com outras crianças, se divertir.

Perguntei para uma amiga pediatra Fernanda Mantuano e ela me explicou que para o balé precisamos já de uma musculatura desenvolvida e que aos três anos ainda não temos. O ideal seria com seis, sete anos de idade. Mas se acharem uma escola que comece aos três, que tenham respeito com o desenvolvimento mental e muscular da criança, que ela se divirta ao som de uma música clássica, acho ótimo!

O que foi mais difícil em sua adaptação quando esteve estudando na Alemanha? Acredita que lá as condições para os bailarinos sejam melhoras, comparadas ao nosso país?

Eu sempre quis morar sozinha mas estar sozinha é quando tudo cai na real. Pagar suas contas, limpar sua casa, lavar suas roupas se torna uma rotina obrigatória. Não que eu não gostasse mas essa obrigação aos 16 anos foi um “chegou sua hora de crescer”. Aulas, vivências, palcos, grandes estrelas em quantidade, cultura, o ar que você respira, tudo é diferente na Alemanha.  Precisamos evoluir muito ainda no Brasil. Não somos ruins, nem um pouco, temos grandes exemplos brasileiros fora do país mas precisamos de uma estrutura melhor, a importância que damos a cultura e arte no nosso país está caminhando mas ainda somos um “bebê”.

Como intérprete, qual personagem que já dançou dos ballets de repertório que mais se identificou?

Me identificar é uma palavra muito forte. Eu sou, eu rs. Difícil falar de mim. Prefiro dizer os que gostei de fazer. Gamzatti em La Bayadere, Eleita em Sagração da Primavera e Mazurka em Les Sylphides foram como ferretes.  Sinto que eles me marcaram, me  fizeram crescer como bailarina e como ser humano.

Conte-nos como aconteceu sua entrada para o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Vou precisar voltar um pouco para explicar. Depois da minha formação na Alemanha eu precisava de férias. Nada é como um conto de fadas! Voltei para o Brasil e simplificando, eu entrei para a Cia Brasileira de Ballet. Com 9 meses de cia surgiu a audição para o corpo de baile do Municipal. Eu ainda não tinha certeza do que queria mas era uma oportunidade de emprego em uma grande cia e de dançar.

Prefere dançar sozinha ou acompanhada?

Dançar sozinha tem sua responsabilidade, qualquer passo é seu, qualquer erro também. Dançar acompanhada é dividir a responsabilidade mas também é compartilhar um momento maravilhoso com alguém, o que é muito especial. Amo os dois, acho que tudo depende do momento e da pessoa.

Defina com uma única palavra:

Ballet: Arte
Aulas: Essencial
Ensaios: Transformação
Barra: Prazer
Repertórios: Cultura
Sapatilha de ponta: Beleza