Ballet Adulto - "O DESPERTAR DA BAILARINA" Com Daniela Brusco Amarante

Um depoimento muito legal da Daniela Brusco, contando sua história. Ela que está voltando ao ballet aos 60 anos de idade, provando para que a dança é para quem quiser dançar, independente de qualquer outro fator! Eu agradeço a Daniela pelo post, sei que irão gostar!
"Desde muito cedo, minha paixão pela dança era latente. Acredito até que no berço já devia dançar.  Aos 8 anos minha mãe me colocou no ballet. Frequentei por poucos meses, pois ela não tinha mais condições de me levar. A escola era longe e naquela época haviam poucas opções, a maioria no centro de São Paulo.

Cresci, o tempo passou,  a vida foi me levando para outros rumos, passando ao largo pela dança, e a bailarina que havia em mim, pouco a pouco foi adormecendo, até que caiu em sono profundo. Por muito tempo abandonei a ideia de voltar a dançar, mas sempre acompanhei, mesmo que de longe, o mundo do ballet, da dança em geral.

Por volta dos 55 anos, durante minhas caminhadas matinais no Parque da Aclimação, descobri um grupo de dança para senhoras. A princípio, apenas assistia, mas depois de uma semana, já não conseguindo me segurar, resolvi arriscar alguns passos. Parecia fácil. E realmente era. Tanto que depois de algum tempo, aquilo já não satisfazia meus anseios. Minha alma inquieta pedia mais. E queria ballet! 
Mas como? Com mais de 50 anos???? Ballet, até onde eu sabia, iniciante, só criança. E quanto menor, melhor.
Mesmo assim, diatnte da inquietude da "bailarina",  que apesar de adormecida ainda habitava em mim resolvi procurar uma academia (CEARTE) e me matriculei em um curso de jazz. Naquele momento o que mais importava era me aperfeiçoar na dança. Exibindo ceartequintaposicao.jpg

Sabia que não seria fácil e que as dificuldades seriam imensuráveis, mas a "bailarina" tinha começado a acordar e não me deixaria desistir.

Detalhe: a minha turma não tinha absolutamente nada de 3a. idade. Dividia a classe com garotas  de no máximo 20 anos. Por muitas vezes, as dores, o desconforto e, principalmente, a vergonha - a grande barreira -  me levavam a um nível de frustração que me faziam pensar em desistir. 

Com o passar das semanas, percebi que o problema não era  eu ser a mais velha. Pelo contrário, o fato de eu ser a mais nova no mundo da dança, a mais inciante, a mais sem experiência, é que era a grande dificuldade, e se eu quisesse dançar prá valer, ía ter que me esforçar mais, ensaiar mais, aprender mais. Percebi também que as dores, desconforto e timidez faziam parte do aprendizado, e eram comum a todas estudantes, independente da idade.

Estava lançado o desafio. Ao final de uma ano, ainda no jazz, me apresentei junto com a academia no Teatro Santo Agostinho no espetáculo "DIVAS", com um número onde representávamos a Diva Madonna. 

Era quase a glória! Mas faltava o principal: o ballet!
E a oprtunidade, mais uma vez,  surgiu, bem na minha frente. No ano seguinte, abriram-se, na mesma academia, inscrições para ballet clássico, adulto INICIANTE!!
Apertei mais o orçamento,  remarquei horários de trabalho, reinventei meu dia dia, e comecei o tão sonhado ballet.
Estou há uns 6 meses e nunca me senti tão bem em toda a minha vida.

Minha postura é outra, minha flexibilidade, agilidade e coordenação motora progrediram consideravelmente. Resgatei minha autoconfiança, e desde então me reinvento a cada aula.
Há muito obstáculo ainda a ser vencido. Afinal, a "bailarina" apenas despertou, mas há muito a fazer antes de "se levantar" totalmente.

 Mas graças a Deus conto com professores, verdadeiros anjos da guarda, que me apoiam, me incentivam, me ajudam em tudo que preciso, sem no entanto, facilitarem  os exercícios, por causa "da idade".

Aos 60 anos me aventurei no ballet, ballet contemporâneo e dança indiana. (tive que abandonar o jazz, por absoluta falta de tempo, mas ainda volto).
Quando vou parar? Não faço ideia. E sonho sim ainda, em subir na ponta. Não sou eu quem determina. É ela: A "Bailarina" que um dia acordou, e desde então se recusa a adormecer novamente.

Meus sinceros agradecimentos aos professores Miguel Nave, Marina Moreira Queiroz, Viviane Marques, Anderson De KAssio, Patrícia Moreira Queiroz, Fernanda Rocha, Jassy Brischy,pela paciência, dedicação e por acreditarem e apostarem em mim"


Foto da Daniela Brusco Amarante em aula

Foto da Daniela Brusco Amarante em aula

Foto da Daniela Brusco Amarante em aula


Exibindo ceartequintaposicao.jpg
Exibindo ceartequintaposicao.jpg

Comentários

  1. Por um mundo dançante. Obrigada Mundo Bailarinístico.

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  2. Que depoimento precioso... simplesmente inspirador. ♡♡

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  3. marjane serra21:15

    Maravilhoso seu depoimento,Daniela e muito prazer em conhecer voce!!!Comigo aconteceu bem parecido e já modificou toda minha vida também ha ha ha estou cheinha de planos e sonhos!!!Um grande beijo e muitas felicidades pra você

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  4. Anônimo23:04

    Belíssima historia! Vc merece sim subir na ponta linda e graciosa! ♡

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  5. Querida Daniela, me identifiquei totalmente com a sua história. Minha vivência foi quase a mesma. A diferença é que fiz ballet até os 16 anos e aos 38 ao levar minha filha para matricular no jazz vi a bailarinha que adormecia em mim acordar novamente. Neste ano, com quase 42, voltei ao ballet. Você descreveu brilhantemente (como uma bailarina deve ser rsrsr) os sentimentos, frustações e dificuldades que sentimos no retorno. Parabéns e nunca deixe que essa bailarina adormeça novamente! Bjs

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