A técnica masculina na visão da Técnica Russa - Por Fellipe Camarotto

Muitas professoras e professores tem dúvidas sobre a técnica masculina e suas especificidades, pois as informações a respeito são pouquíssimas. É preciso ter um bom embasamento teórico para poder diferenciar e ensinar meninos, tanto em classes separadas, como em classes junto com meninas. Neste artigo vou falar um pouco sobre a Técnica Masculina na visão da Técnica Russa.


Acho fantástica e essencial a troca de informação com profissionais qualificados que você possa expandir seu conhecimento, esclarecendo questões para que não se perca o foco e sirva com um guia para o seu trabalho, que é a tradição do ensino para a formação do bailarino. Em uma das minhas conversas com um grupo de profissionais excepcionalmente qualificados na Metodologia Russa, que mesmo sendo todos tão novos se destacam pela disciplina em buscar conhecimento, pude obter ótimas e esclarecedoras respostas na visão pratica profissional sobre as principais diferenças entre a Técnica Feminina e a Técnica Masculina.

Na opinião de Maikon Golini, a diferença técnica é vista num todo, na interpretação de cada movimento. Não que o battement frappé feminino, por exemplo, seja diferente do masculino, mas existem certos “trejeitos” que mulheres fazem e homens não. De certa forma, os corpos serem tão diferentes seja por si só a maior influência na técnica.

Raro ter um homem como Svetlana Zakharova. Raro ter uma mulher como Ivan Vassiliev. Claro que existem exceções, mas homens tem seu maior desenvolvimento técnico no virtuosismo dos giros, grandes saltos e força, enquanto que as mulheres têm seu desenvolvimento técnico na flexibilidade, agilidade e força. E na escola russa, o que conserva essa visão, é justamente o fato de homem dar aula para meninos e mulher dar aula para meninas. Eles até aceitam mulheres dar aula para turmas iniciantes masculinas, mas não aceitam o contrário.

Para Bruna Felicio Lorenzetti a diferença está no estilo da aula. As meninas trabalham corpo e braços muito mais que os meninos. Enquanto ministrava aulas femininas e masculinas juntas, a barra era igual para todos, só que com braços diferentes, até o rond de jambé en l'air. No adágio as combinações eram diferentes. A mesma coisa no grand battement jeté no centro. Para os meninos mais simples, mas com mais giros e meninas com mais coordenação de braços e movimentos específicos de corpo.

A música também é diferente, tanto o tema como o andamento. Além da diferença no tratamento e na correção. Nos saltos as combinações também eram diferenciadas. Durante toda a aula as meninas mais dançadas e os meninos com saltos mais pesado. E para os meninos eu vejo a importância de as combinações serem mais básicas, a combinação mais lenta, para dar tempo de pensar, pois eles são mais devagar para coordenar.

Resumindo, são os mesmos movimentos e elementos, mas a música e a construção das combinações e as cobranças são diferentes. Não deixem de enviar suas dúvidas para que juntos possamos trocar informações e aprender.



2 comentários:

  1. Parabéns pela pesquisa, pela proposição... ainda não se encontra muitas referências em Português sobre o tema, e os bailarinos no Brasil sofrem um pouco com estas dificuldades, seja a professoras em sua maioria mulheres, seja passar por diferentes metodologias e professores... e por consequência outras inumeras dificuldades somadas, biotipo, fisiologia, idade avançada para entrar no balé, preconceitos diversos.. parabéns pelo trabalho!

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  2. Super Fellipe! Excelentes considerações! Adorei o artigo, parabéns!

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