Espelho, espelho nosso! Por Janaína Barros

Segundo estudos, os primeiros espelhos manufaturados, surgiram em Antolia, centro sul da Turquia a pelo menos 8000 anos. O espelho está ligado a experiência humana de auto-­consciência, desejo de auto-­aperfeiçoamento e correção.

Com bailarinos, a coisa não é diferente, porém ha aspectos positivos e negativos no uso dessa
ferramenta em sala de aula!


No aspecto positivo pode­-se ressaltar o feedback visual imediato e sua utilidade nas auto-­correções, permitindo que o bailarino avalie altura, forma, linha de seus movimentos, ajuste de colocação e ver
facilmente seu desempenho em movimentos de várias perspectivas o que pode ajudá-­los no desenvolvimento de suas etapas.

Porém, quando bailarinos perdem muito tempo olhando-­se no espelho, tornam-­se excessivamente auto­-consciente e auto-­críticos e isso pode apresentar vários problemas; um deles é desenvolvimento
de uma imagem corporal negativa e maus sentimentos sobre seu corpo e isso se dá quando começam a comparar sua imagem física com as de outros, o que, segundo estudos, pode retardar
seu desenvolvimento técnico.

A concentração excessiva na própria imagem pode afetar a chamada "Propriocepção" termo utilizado
para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais. É o que torna o bailarino hábil, expressivo e proporciona o desenvolvimento técnico.

Para um bom desenvolvimento da dinâmica é necessário que o bailarino siga o fluxo e não apenas foque em partes do corpo ou em posições específicas. É preciso que haja concentração em aprender e confiar no feedback muscular, na "auto-propriocepção" que o movimento fornece, em vez de ficar horas criando uma imagem corporal negativa, afinal a gente não dança para o espelho e sim para o publico.