Ballet de repertório



Ballet de repertório, em francês ballet d'action, é o tipo de ballet que contém uma história dentro dele, que é representada através das danças.  É um conjunto de coreografias querendo contar uma história

Para a montagem de um Ballet de Repertório completo é preciso contar com um número razoável de bailarinos e coreografias. Para as coreografias tem um conjunto de passos que deve ser seguido, minuciosamente (apesar de às vezes, o coreógrafo fazer adaptações, que devem sempre ser citadas).

Divididas em atos, essas histórias são contadas através da dança, de música e de mímicas. Foram montados e encenados durante o século XIX, e até hoje são remontados com as mesmas músicas e suas coreografias de origem, baseados no estilo da escola ou cia que vai apresentá-lo.

O que são atos?

Ato é cada uma das partes principais em que se divide um ballet. Da mesma maneira que um livro pode ser dividido em capítulos, uma peça e os ballets podem ser divididos em atos. Trata-se de uma convenção cuja principal característica é a interrupção do espetáculo. Os Atos se constituem de uma série de cenas interligadas por uma subdivisão temática. As cenas se dividem conforme as alterações no número de personagens em ação: quando entra ou sai do palco um bailarino.


Coreograficamente...

Os repertórios apresentam coreografias dos Corpos de Baile (grupo de bailarinos que dançam em conjunto nos bailados de uma companhia de dança); as variações dos solistas e dos primeiros bailarinos (que executam essencialmente os primeiros papéis no repertório) e os famosos GRAND PAS DE DEUX.

O que são as variações de Repertório?

Sempre veremos solistas em diversas partes da narrativa, ajudando a contar a história. Esses solos, sempre com a mesma base de passos e execuções (algumas vezes adaptados), se chamam variações de repertório. Podem ser destinadas aos personagens principais da narrativa, ou por outros personagens da história, dependendo do desenrolar do repertório (Ex: Fadas da Bela Adormecida possuem variações, porém não são personagens principais).

A estrutura de um Grand Pas de Deux

O grand pas de deux é um estruturado pas de deux que normalmente tem cinco partes, que consiste em uma entrada (introdução), um adagio, duas variações (um solo para cada bailarino), e uma coda (conclusão). É eficazmente um conjunto de danças que compartilham um tema comum, muitas vezes simbólico de uma história de amor ou a parceria inerente no amor, com os dançarinos retratando expressões de sentimentos afetuosos e pensamentos entre parceiros românticos.

Entrée (“entrada”)
O grand pas de deux geralmente começa com uma entrada, que serve como um prelúdio curto e também indica o início do conjunto de dança. Durante a entrada, os dançarinos aparecem pela primeira vez no palco e, geralmente, com grande pompa, reconhecer uns aos outros e se posicionar perto um do outro, em preparação para o adagio subsequente. Dependendo da coreografia, a bailarina e danseur podem entrar na fase simultaneamente ou em momentos diferentes.

Adagio (“lentamente”)
A parte adagio em um grand pas de deux apresenta graciosa e elaborada parceria pelo par de danças. No adagio, a bailarina executa movimentos elegantes, muitas vezes lentos e sustentados enquanto o bailarino a suporta. O bailarino, por sua vez, se esforça para manter uma exposição de equilíbrio e força aparentemente sem esforço, fornecendo suporte para a bailarina. O bailarino pode apoiar a bailarina em uma variedade de maneiras comuns, incluindo levantando-a, mantendo e estabilizando-a durante voltas, e oferecendo um braço ou a mão para ela usar como um apoio, quando ela realiza proezas de equilíbrio que seriam difíceis ou impossível sem ajuda.

Variações
Após a conclusão do adagio, os bailarinos se separaram e cada dançarino, por sua vez, toma o centro do palco e executa uma variação (um solo). Em geral, as variações são destinadas a mostrar espetaculares, acrobáticos saltos e curvas, bem como as habilidades e capacidade atlética dos bailarinos individuais. A variação do bailarino, geralmente, é realizada em primeiro lugar, seguido por variação da bailarina.

Coda (“conclusão”)
A coda é o segmento final de um grande pas de deux. Normalmente, é uma recapitulação dos segmentos anteriores da grande pas de deux, constituído por elementos que são característicos do adagio, variações, ou ambos, e termina durante um clímax musical grande.

Além das variações, conjuntos e grand pas de deux, em algumas obramos encontramos também :

Os Pas de Troix

Termo geralmente referindo-se a uma dança de ballet entre três pessoas. Normalmente, um Pas de trois no ballet composto por 6 peças:
- O Entrée (o número de abertura para as 3 bailarinas, geralmente precedido por uma breve introdução)
- Variação (ou solo) para a primeira bailarina
- Variação para a segunda bailarina
- Variação para a terceira bailarina
- A Coda ( geralmente com música de um ritmo rápido)

Os Pas de Quatre

Termo geralmente referindo-se a uma dança de ballet entre quatro pessoas, literalmente traduzido como "passo para quatro". Pas de quatres aparecem em muitos balés, entre diferentes combinações de bailarinos do sexo feminino e masculino. 

e os Pas de Six. 

Lista de Ballets de Repertório em Ordem Cronológica
O Fellipe Camarotto fez essa ordem cronológica dos Ballet de Repertório em português.

La Fille Mal Gardée 1789
Coreografia: Jean Dauberval
Música:  Ferdinand Hérold
Versões: Frederick Ashton com música revisada por John Lanchbery 

La Sylphide 1832
Coreografia: Filippo Taglioni
Música: Jean-Madeleine Schneitzhoeffer
Versões: August Bournonville (1836) - Pierre Lacotte (1972)

Giselle 1841
Coreografia: Jean Coralli e Jules Perrot
Música: Adolphe Adam



La Esmeralda 1844
Coreografia: Jules Perrot
Música: Cesare Pugni
Versões: Marius Petipa (1849) - Agrippina Vaganova (1935)

Pas de Quatre 1845
Coreografia: Jules Perrot
Música: Cesare Pugni

Paquita 1846
Coreografia: Joseph Mazilier e Paul Foucher,
Música: Édouard Deldevez e Ludwig Minkus

O Corsário 1858
Coreografia: Marius Petipa, depois de Joseph Mazilier e Jules Perrot
Música: Adolphe Adam

A Filha do Faraó 1862
Coreografia: Marius Petipa
Música: Cesare Pugni
Versões: Pierre Lacotte (2000)

Don Quixote 1869
Coreografia: Marius Petipa
Música: Ludwig Minkus
Versões: Alexander Gorsky (1902) com trechos musicais de Riccardo Drigo

Coppelia 1870
Coreografia: Arthur Saint-Léon
Música: Léo Delibes



Sylvia 1876
Coreografia: Louis Mérante
Música: Léo Delibes
Versões: Sir Frederick Ashton

O Lago dos Cisnes 1877
Coreografia: Marius Petipa e Lev Ivanov
Música: Pyotr Tchaikovsky


La Bayadère 1877
Coreografia: Marius Petipa
Música: Ludwig Minkus

O Talismã 1889
Coreografia: Marius Petipa
Música: Riccardo Drigo
Versões: Nikolai Legat

A Bela Adormecida 1890
Coreografia: Marius Petipa
Música: Pyotr Tchaikovsky

O Quebra Nozes 1892
Coreografia: Marius Petipa
Música: Pyotr Tchaikovsky



Raymonda 1898
Coreografia: Marius Petipa
Música: Alexander Glazunov

Cinderella 1893
Coreografia: Enrico Cecchetti e Lev Ivanov supervisionado por Marius Petipa
Música: Baron Boris Fitinhoff-Schell
Versões:  Rostislav Zakharov com música de Sergei Prokofiev

Chopiniana ou Les Sylphides 1907
Coreografia: Mikhail Fokine
Música: Frédéric Chopin

Scheherazade 1910
Coreografia: Mikhail Fokine
Música: Nikolai Rimsky-Korsakov

O Pássaro de Fogo 1910
Coreografia: Mikhail Fokine
Música: Igor Stravinsky

Petrouchka 1911
Coreografia: Mikhail Fokine
Música: Igor Stravinsky

O Despertar de um Fauno 1912
Coreografia: Vaslav Nijinsky
Musica: Claude Debussy

A Sagração da Primavera 1913
Coreografia: Vaslav Nijinsky
Música: Igor Stravinsky

Les Noches 1923
Coreografia: Bronislava Nijinska
Música: Igor Stavinsky

Les Biches 1924
Coreografia: Bronislava Nijinska
Música: Francis Poulenc

Apollo 1928
Coreografia: George Balanchine
Música: Igor Stravinsky

Chamas de Paris 1932
Coreografia: Vasily Vainonen
Música: Boris Asafyev
Versões: Alexei Ratmansky

Serenade 1934
Coreografia: George Balanchine
Música: Pyotr Tchaikovsky

Romeu e Julieta 1938
Coreografia: Leonid Mikhaylovich
Música: Sergei Prokofiev

Theme and Variations 1947
Coreografia: George Balanchine
Música: Pyotr Tchaikovsky

Spartacus 1956
Coreografia: Leonid Yakobson
Música: Aram Khachaturian
Versões: Yuri Grigorovich

Sonho de uma Noite de Verão 1962
Coreografia: George Balanchine
Música: Felix Mendelssohn

Jewels 1967
Coreografia: George Balanchine
Música: Stravinsky, Tchaikovsky, & Gabriel Faure

Carmen 1967
Coreografia: Alberto Alonso
Música: Rodion Shchedrin